Como saber se preciso de terapia?
- Beatriz Cristina

- 20 de jan.
- 2 min de leitura
Atualizado: 21 de jan.
Como saber se preciso de terapia, mesmo sem estar em crise
Muitas pessoas chegam à terapia sem um motivo claro. A vida segue funcionando: trabalho, relações, compromissos. Ainda assim, algo parece fora de lugar.
Não é exatamente tristeza. Não é necessariamente ansiedade intensa. É mais um cansaço de si, uma sensação de repetição, ou a impressão de que a vida perdeu um pouco da nitidez. E então surge a pergunta: “Será que isso já é motivo para fazer terapia?”

Terapia não começa quando tudo desmorona
Existe uma ideia comum, e bastante equivocada, de que a psicoterapia só é necessária quando há um colapso, um diagnóstico ou um sofrimento “grave o suficiente”.
Mas, na prática clínica, muitas pessoas procuram terapia em momentos mais sutis:
quando percebem que estão sempre reagindo da mesma forma
quando se sentem distantes de si, mesmo estando ocupadas
quando algo insiste em retornar, apesar das tentativas de seguir em frente
Na Gestalt-terapia, entendemos que o sofrimento nem sempre aparece como dor intensa. Às vezes, ele se manifesta como desconexão, automatismo ou empobrecimento da experiência.
Alguns sinais menos óbvios de que a terapia pode ajudar

Às vezes, é não conseguir parar.
Sem listas fechadas ou critérios rígidos, mas como convite à observação:
Você sente que está sempre “dando conta”, mas raramente se sente presente
Situações parecidas continuam se repetindo na sua vida
Há emoções que você evita sentir, porque parecem atrapalhar o funcionamento
Você tem dificuldade de identificar o que realmente quer ou precisa
O corpo dá sinais (cansaço, tensão, insônia), mesmo quando “está tudo bem”
Nada disso é um diagnóstico. São movimentos da experiência pedindo atenção.
Fazer terapia não é sinal de fraqueza.
É gesto de contato
Buscar terapia não significa incapacidade de lidar com a própria vida.Muitas vezes, significa justamente o contrário:uma disposição para olhar com mais cuidado para o que está sendo vivido.
A psicoterapia oferece um espaço onde:
não é preciso performar
não é necessário saber exatamente o que dizer
não há respostas prontas esperando por você
O trabalho acontece no encontro, na forma como você se apresenta, sente, fala, silencia e se percebe ali.
Então, como saber se você precisa de terapia?
Talvez a pergunta possa ser suavemente transformada em outra:
“Existe algo em mim que pede mais escuta do que eu consigo sustentar sozinho?”
Se essa pergunta ressoa, já existe aí um movimento legítimo.
A terapia não começa com uma certeza. Ela começa com uma curiosidade cuidadosa sobre si.
Um convite possível
Algumas experiências pedem tempo, presença e um outro disponível para caminhar junto. A psicoterapia pode ser esse espaço: não para consertar, mas para ampliar o contato com a própria vida.
Para algumas pessoas, esse tipo de reflexão encontra continuidade quando compartilhada em um espaço de escuta.
O que muda quando você se permite escutar o que sente, sem pressa de responder?
Beatriz Cristina de Miranda Barbosa
Psicóloga I CRP: 06/182287



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